
Fico pasma ao ver que em pleno século XXI ainda exista tanta ignorância. Fiquei indignadíssima com o ato do arcebispo de Olinda e Recife que teve a capacidade de excomungar a família e os médicos que fizeram o aborto na garotinha de apenas 9 anos grávida, de gêmeos, de seu estuprador que, diga-se de passagem, era seu padastro.
É incrível ver que a Igreja Católica ainda seja ignorante a ponto de não compreender que esse aborto não foi realizado com frieza, qualidade ou sem razão. Achava que em 2009 as pessoas e, inclusive o digníssimo arcebispo teria clareza para compreender que uma criança corria risco de vida em manter esta gravidez indesejadíssima. Basta pensar que essa menina terá que lidar a vida inteira com a inocência retirada à força e com o trauma de toda essa situação.
Mas sem contar que ele publicamente condenou o ato da família e dos médicos, esqueceu que o vilão dessa história é o tal do padastro que violentou a infância dessa garota. Mas ele, incrivelmente, não foi excomungado por seu cruel ato.
É muito ruim perceber que a Igreja Católica mantenha os mesmos pensamentos e hábitos lá da Idade Média, quando a Santa Inquisição se achou no direito de condenar que quisesse ou quem não lhe fosse visto com bons olhos com a morte na fogueira.
São atos como esse que afastam mais e mais as pessoas do catolicismo e as aproximam de outras tantas religiões.
Num momento onde a fé deveria recrudescer em nossos corações e nos aproximar da Igreja, ela não deveria tomar outra atitude, modernizando-se?
Ora, hoje o mundo é diferente! As pessoas não pensam ou são como os indivíduos da Idade Média.
A condenação do uso da pílula anticoncepcional, da camisinha e até do aborto, tornam o catolicismo uma religião com seus dias contados.
Não sou pagã e, como 90% dos brasileiros, fui criada sobre os preceitos dessa religião, mas me nego a continuar aceitando posturas como essa.
Acredito em Deus e sei que ele não condenaria ou excomungaria essa pessoas por esse ato. Um bem maior foi feito por essa menina, que em sua curta vida sofreu bem mais do que deveria. Ou seria mais santo e mais religioso deixá-la morrer ao levar essa gravidez à frente?
Nunca admirei essa condição de "homem santo" dado aos papas, mas via em João Paulo II uma luz de modernidade, mas Bento XVI parece ter saído de um filme de ficção do tipo "O nome da rosa", sem contar que o passado o condena, afinal, foi membro do partido nazista.
Vai ver que é por isso que não condena o tal cardeal que afirma que o holocausto não existiu e apóia a excomunhão afirmada pelo arcebispo brasileiro.
Essa "Santa" ignorância me indigna! O que será de nós se tivermos que abrir mão da fé também?

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