terça-feira, 31 de março de 2009

Para Viver Um Grande Amor


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

(Vinicius de Moraes)


P.S. Eu acredito nisso? E você que lê?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Só você


Ah, como é doce seu olhar
Doces os seus beijos
Quentes os seus abraços

Ah, como é bom perceber que te amo
Apenas porque você existe

Ah, como é bom sonhar com sua volta
Sonhar com seu aconchego
Sonhar com a nossa felicidade
Mesmo que para isso tenhamos que trilhar outros caminhos para lá na frente nos encontramos novamente!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Guerreiro


O futebol sempre me encanta. Vai entender, né? Geralmente as mulheres abominam o esporte mas eu nasci gostando!
Escolhi o time que não é o de coração da família (Corinthians) e sou a ovelha negra nesse sentido. Para piorar a situação sou daquelas fanáticas que chora, ri e morre de paixão pelo Timão.
Sofri bastante com a queda pra segunda divisão, mas fiz minha parte como membro da Fiel. Torci, fui aos jogos e estava lá no Pacaembu quando, por antecipação, voltamos para a primeira divisão.
Como todo bom torcedor, sonho que meu time seja repleto de craques. E, há algum tempo almejava ver um grande ídolo fazer parte do Corinthians. Entretanto, sabia que para isso acontecer só se houvesse um milagre. E não é que ele aconteceu?
quando todo mundo pensava que o Fenômeno acertaria com o Flamengo, Ronaldinho acertou com o Corinthians.
Ao contrário da maioria das pessoas que conheço fiquei felicíssima com a novidade. Acreditava de coração que ele viria para agregar não só financeiramente, mas para a qualidade do futebol da equipe.
Entrei em muitas discussões por conta disso! Cansei de ouvir que a ida do Ronaldo para o o Corinthians não passava de uma jogada de marketing da Nike, do Corinthians e do próprio jogador.
E sempre dizia: – Ele vai voltar a jogar e vai ser o craque do time. Todos davam de ombros. Nem aceitaram a aposta. Se tivessem acertado, eu teria ganho alguns trocados!
Ronaldo voltou aos gramados num jogo da Copa do Brasil contra o Itumbiara. É claro que em 20 e poucos minutos e há mais de um ano sem jogar seria impossível que ele fizesse algo de extraordinário. Minha primeira emoção era vê-lo retornar aos campos, afinal sempre o admirei pela garra nos momentos de dificuldade, mas também não podia esconder o entusiasmo de vê-lo com a camisa do meu time.
E não é que, para minha própria surpresa, ele mostrou fome de bola? Enfim, bastava dar a ele mais tempo e mais condições para voltar a ser aquele craque de antes.
O próximo desafio era contra nosso maior "inimigo": Palmeiras. E ficava a dúvida: ele iria jogar?
No sábado anterior disse aos meus pais: – Ele vai entrar e vai marcar um gol! Claro que todos riram de mim, né?
Mas aí, o jogo começou. O primeiro tempo foi ruim de doer e nada do Ronaldo em campo. O segundo tempo começou com o gol do Palmeiras logo no começo e aí, pouco depois ele entrou.
Na primeira jogada já mostrou a que veio. Meu sangue começou a ferver, os nervos ficaram à flor da pele e meus gritos na torcida chamaram a atenção de todos.
Meu pai veio assistir o jogo comigo e – acho que todos amantes do bom futebol – passou a torcer não pelo Corinthians, mas pelo Ronaldo, aquele mesmo que foi eleito três vezes melhor jogador do mundo, artilheiro de todas as Copas do Mundo, bicampeão do Mundo com a Seleção, aquele menino que brilhou no Cruzeiro mostrando audácia e categoria.
O jogo estava acabando e o juiz deu mais 4 minutos. Ah, que 4 minutos mais valiosos. Aos 47 minutos, Ronaldo cabeçou e GOL!
Isso! GOL DO RONALDO! E eu só pensava: eu avisei!
Caramba, mais do que curtir aquele gol pelo empate contra o Palmeiras, vibrei por ver que ali, ressurgia um ídolo.
E como diria o comercial da Brahma: VEM-VINDO GUERREIRO!

sexta-feira, 6 de março de 2009

"Santa" ignorância!


Fico pasma ao ver que em pleno século XXI ainda exista tanta ignorância. Fiquei indignadíssima com o ato do arcebispo de Olinda e Recife que teve a capacidade de excomungar a família e os médicos que fizeram o aborto na garotinha de apenas 9 anos grávida, de gêmeos, de seu estuprador que, diga-se de passagem, era seu padastro.
É incrível ver que a Igreja Católica ainda seja ignorante a ponto de não compreender que esse aborto não foi realizado com frieza, qualidade ou sem razão. Achava que em 2009 as pessoas e, inclusive o digníssimo arcebispo teria clareza para compreender que uma criança corria risco de vida em manter esta gravidez indesejadíssima. Basta pensar que essa menina terá que lidar a vida inteira com a inocência retirada à força e com o trauma de toda essa situação.
Mas sem contar que ele publicamente condenou o ato da família e dos médicos, esqueceu que o vilão dessa história é o tal do padastro que violentou a infância dessa garota. Mas ele, incrivelmente, não foi excomungado por seu cruel ato.
É muito ruim perceber que a Igreja Católica mantenha os mesmos pensamentos e hábitos lá da Idade Média, quando a Santa Inquisição se achou no direito de condenar que quisesse ou quem não lhe fosse visto com bons olhos com a morte na fogueira.
São atos como esse que afastam mais e mais as pessoas do catolicismo e as aproximam de outras tantas religiões.
Num momento onde a fé deveria recrudescer em nossos corações e nos aproximar da Igreja, ela não deveria tomar outra atitude, modernizando-se?
Ora, hoje o mundo é diferente! As pessoas não pensam ou são como os indivíduos da Idade Média.
A condenação do uso da pílula anticoncepcional, da camisinha e até do aborto, tornam o catolicismo uma religião com seus dias contados.
Não sou pagã e, como 90% dos brasileiros, fui criada sobre os preceitos dessa religião, mas me nego a continuar aceitando posturas como essa.
Acredito em Deus e sei que ele não condenaria ou excomungaria essa pessoas por esse ato. Um bem maior foi feito por essa menina, que em sua curta vida sofreu bem mais do que deveria. Ou seria mais santo e mais religioso deixá-la morrer ao levar essa gravidez à frente?
Nunca admirei essa condição de "homem santo" dado aos papas, mas via em João Paulo II uma luz de modernidade, mas Bento XVI parece ter saído de um filme de ficção do tipo "O nome da rosa", sem contar que o passado o condena, afinal, foi membro do partido nazista.
Vai ver que é por isso que não condena o tal cardeal que afirma que o holocausto não existiu e apóia a excomunhão afirmada pelo arcebispo brasileiro.
Essa "Santa" ignorância me indigna! O que será de nós se tivermos que abrir mão da fé também?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Vem andar comigo (novamente)


Basta olhar no fundo dos meus olhos
Pra ver que já não sou como era antes
Tudo que eu preciso é de uma chance
De alguns instantes

Sinceramente ainda acredito
Em um destino forte e implacável
Em tudo que nós temos pra viver
É muito mais do que sonhamos

Será que é difícil entender
Porque eu ainda insisto em nós
Será que é difícil entender
Vem andar comigo...

Vem, vem meu amor
As flores estão no caminho
Vem meu amor
Vem andar comigo


(Vem andar comigo - Jota Quest)

P.S. Será que me farei entender dia desses para poder andar novamente na sua trilha?