sábado, 7 de abril de 2007

Legião Urbana na minha vida


Todos nós temos fases musicais na vida. E uma das minhas começou quando eu ainda tinhas uns 5 anos. Foi quando fui apresentada à Legião Urbana, mais especificamente ao álbum Dois.
Criança ainda, me apaixonei por Eduardo e Mônica e fiz meu tio (um universitário na época, o que explica ser apresentada tão cedo a uma banda como essa) tocar a faixa umas 100 vezes.Obviamente, a Legião Urbana conquistou corações, afinal de contas, Renato Russo era mais que um líder de banda, um vocalista ou compositor. Renato Russo era um poeta.Até meus 15, 16 anos, a Legião Urbana foi a banda da minha vida, ao lado dos Paralmas do Sucesso, é claro! Me acompanhou naqueles momentos turbulentos de dúvidas constantes da adolescência e me ajudou a crescer, a gostar de escrever, curtir boa música e a ver o mundo com olhos diferentes.Com o tempo...e com a morte do Renato, passei a ouvir outros sons, mas sempre guardei (todos) os cds e vinis da Legião com carinho. O engraçado é que de vez em quando pego um deles e escuto. Mas fazia tempo que não fazia isso.Até que para minha aula de História Oral na USP tive que ler uma biografia do Renato Russo e foi inevitável curtir o livro ao som dessa banda.Até hoje não sei dizer qual música é a melhor. Todas elas, tocadas de forma simples, contêm letras que falam muito sobre muita coisa, especialmente sobre aqueles sentimentos que não conseguimos definir.Fiquei pensando se Eduardo e Mônica seria minha música preferida, mas não. Passei por todos os discos e vi que todos eles têm uma (ou várias) músicas preferidas. Como não gostar de Índios, Fábrica, Faroeste Caboclo, Geração Coca-Cola, Pais e Filhos, Vinte e Nove, Os barcos, Vento no Litoral...enfim....Mas descobri que tem uma música que sempre mexeu comigo. E nem é a mais bonita, mas é aquela que sempre me disse alguma coisa. É Quase sem Querer do Dois.
Aí vai ela, junto com a saudade imensa da minha adolescência e do poeta Renato Russo.

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo
E tão contente.

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira.

Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber
Tudo.

Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito:
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as
nunca são ditas?

Me disseram que você estava chorando
E foi então que percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

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