
Todos nós temos fases musicais na vida. E uma das minhas começou quando eu ainda tinhas uns 5 anos. Foi quando fui apresentada à Legião Urbana, mais especificamente ao álbum Dois.
Criança ainda, me apaixonei por Eduardo e Mônica e fiz meu tio (um universitário na época, o que explica ser apresentada tão cedo a uma banda como essa) tocar a faixa umas 100 vezes.Obviamente, a Legião Urbana conquistou corações, afinal de contas, Renato Russo era mais que um líder de banda, um vocalista ou compositor. Renato Russo era um poeta.Até meus 15, 16 anos, a Legião Urbana foi a banda da minha vida, ao lado dos Paralmas do Sucesso, é claro! Me acompanhou naqueles momentos turbulentos de dúvidas constantes da adolescência e me ajudou a crescer, a gostar de escrever, curtir boa música e a ver o mundo com olhos diferentes.Com o tempo...e com a morte do Renato, passei a ouvir outros sons, mas sempre guardei (todos) os cds e vinis da Legião com carinho. O engraçado é que de vez em quando pego um deles e escuto. Mas fazia tempo que não fazia isso.Até que para minha aula de História Oral na USP tive que ler uma biografia do Renato Russo e foi inevitável curtir o livro ao som dessa banda.Até hoje não sei dizer qual música é a melhor. Todas elas, tocadas de forma simples, contêm letras que falam muito sobre muita coisa, especialmente sobre aqueles sentimentos que não conseguimos definir.Fiquei pensando se Eduardo e Mônica seria minha música preferida, mas não. Passei por todos os discos e vi que todos eles têm uma (ou várias) músicas preferidas. Como não gostar de Índios, Fábrica, Faroeste Caboclo, Geração Coca-Cola, Pais e Filhos, Vinte e Nove, Os barcos, Vento no Litoral...enfim....Mas descobri que tem uma música que sempre mexeu comigo. E nem é a mais bonita, mas é aquela que sempre me disse alguma coisa. É Quase sem Querer do Dois.Aí vai ela, junto com a saudade imensa da minha adolescência e do poeta Renato Russo.
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso.Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüiloE tão contente.
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundoQue eu não precisava
Provar nada pra ninguém.Me fiz em mil pedaços
Pra você juntarE queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.Como um anjo caído
Fiz questão de esquecerQue mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira.Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saberTudo.
Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
Às vezes o que eu vejoQuase ninguém vê
E eu sei que você sabeQuase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.Tão correto e tão bonito:
O infinito é realmenteUm dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes usoPalavras repetidas
Mas quais são as nunca são ditas?
Me disseram que você estava chorando
E foi então que percebiComo lhe quero tanto.
Já não me preocupo
Se eu não sei por quêÀs vezes o que eu vejo
Quase ninguém vêE eu sei que você sabe
Quase sem quererQue eu quero o mesmo que você.

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